O Caos do Trânsito na Ilha e o Futuro Plano de Mobilidade

Por Carolina Griggs

Que Florianópolis está defasada em termos de mobilidade urbana, todos podem concordar. Não temos um radar de velocidade para reduzir mortes e lesões graves, nem uma política de redução de mortes. Há quase dois anos estamos sem serviço de zona azul para gerenciar a demanda de estacionamento nas vias públicas, que estão abarrotadas de carros após duas licitações no mínimo problemáticas com a Dom Parking e Rizzo Parking. Temos uma concessão de ônibus mal-estruturada, que só termina em 2034. Não temos previsão real de execução do projeto de BRT desenhado pelo PLAMUS (um plano de mobilidade para a Grande Florianópolis que apesar de bem feito, não foi implementado) desde 2015. Não temos orçamento dedicado para mobilidade ativa e nem bons projetos, que são todos misteriosamente feitos unicamente pela empresa PROSUL sem priorização da mobilidade ativa. Desde 2014, Florianópolis teve um aumento de 60% no número de veículos e 27% no número de pessoas. Se continuarmos assim, nossa cidade terá mais 200 mil veículos, ou um total de 529 mil veículos dentro de 10 anos. Onde vamos colocá-los? Nas calçadas inexistentes? Enfim, a gestão de mobilidade/transporte de Florianópolis enfrenta uma crise séria.

Avenida da Saudade. Foto: Vinicius Leyser da Rosa

E se eu te contar que Florianópolis tem um plano de mobilidade desde 2015 e assim mesmo vive o caos? Para receber fundos federais como os do PAC NOVO entre outros, e de acordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012), todo município com mais de 250 mil habitantes teve até o dia 12 de abril de 2024 para desenvolver o seu plano de mobilidade. Florianópolis usou os dados do PLAMUS e publicou o seu plano em 2015 na base do Ctrl + C e Ctrl + V. Pela lei, os planos de mobilidade devem ser atualizados a cada 10 anos ou menos. Ou seja, Florianópolis está irregular para receber verbas federais desde 2025. Então um Plano de Mobilidade de Florianópolis aprovado em lei é essencial para Florianópolis receber verbas do PAC NOVO incluindo para projetos de BRT ou VLT.

Mas por que o plano de 2015 não deu em nada e o que deveria ter um plano de mobilidade? Analisando o plano de 2015, pode-se dizer que as metas foram muito tímidas (sem metas de porcentagem por modal) e os prazos muito longos (10 anos em vez de 2 anos para implementar redes cicloviárias). Parece até que não queriam implementar! Planos modernos alinhados às melhores práticas têm metas claras e ambiciosas para aumentar a mobilidade de pedestres, bicicleta e transporte coletivo e diminuir a porcentagem de viagens do modal de carros. Esse é o coração de todo planejamento. E a cabeça? A cabeça faz o planejamento orçamentário para determinar quais ações são prioritárias e como o município vai executar e pagar as ações necessárias. O planejamento orçamentário de Florianópolis atualmente não tem nenhuma ação relacionada à implementação do plano de mobilidade. Ou seja, temos muito o que melhorar tanto na estratégia quanto na logística, nesse próximo plano de mobilidade.

As oficinas estão rolando e é importante a sua participação para pedir melhor transporte coletivo, e melhor infraestrutura para a mobilidade ativa:

Norte da Ilha (Cachoeira do Bom Jesus, Canasvieiras, Ingleses, Santo Antônio de Lisboa e Ratones): Encontros em 19 de outubro na EBM Herondina Medeiros Zeferino (Ingleses) e 28 de outubro na EBM Virgílio dos Reis Várzea (Canasvieiras).

Leste da Ilha (Rio Vermelho, Barra da Lagoa e Lagoa da Conceição): Encontros em 20 de outubro na EBM Henrique Veras (Lagoa da Conceição) e 21 de outubro na EBM Gentil da Conceição (Rio Vermelho).

Sul da Ilha (Campeche, Tapera, Ribeirão da Ilha e Pântano do Sul): Encontros em 22 de outubro na EBM Batista Pereira (Ribeirão da Ilha) e 27 de outubro na EBM Brigadeiro Eduardo Gomes (Campeche).

Continente (Encerramento): Reunião em 29 de outubro no IFSC (Coqueiros).

Este formulário permite que você faça o diagnóstico dos diferentes modais que você usa.

Nos vemos nas oficinas. Ou escreva-nos: amobici.br@gmail.com

Carolina Griggs é mestre em administração pública em ciências e políticas ambientais pela Columbia University e trabalha como consultora de políticas públicas ambientais. A opinião é da autora.

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