Nenhuma Morte no Trânsito É Aceitável: Como Tornar a Av. Max de Souza Segura para Todos

Quem transita pela Avenida Engenheiro Max de Souza, em Coqueiros, sabe que a via é o coração do bairro. Por ali passam milhares de pessoas diariamente para ir ao comércio, ir à escola ou aproveitar o Parque de Coqueiros. No entanto, a principal artéria do bairro tem sido palco de tragédias evitáveis.

Entre 2019 e 2025, foram registrados 24 atropelamentos de pedestres na avenida e 3 atropelamentos com mortes de pedestres em pontos críticos (Dados do DETRAN-SC e da Rede Vida no Trânsito – Florianópolis). Para entender as causas do problema e propor soluções reais, a AMOBICI (Associação Mobilidade por Bicicleta e Modos Sustentáveis) foi a campo com metodologias estabelecidas para realizar um diagnóstico técnico completo.

A equipe da AMOBICI realizou 550 medições de velocidade em 5 pontos estratégicos da avenida. O resultado do levantamento acendeu um sinal vermelho:

  • 96% dos veículos circulavam acima de 30 km/h.
  • 61% dos veículos transitavam acima de 40 km/h.
  • 12% estavam em alta velocidade, superando os 50 km/h.
Duas criancas andam de bicicleta na calçada para evitar a insegurança da Avenida Eng. Max de Souza.

Os pontos 1, no início, e 5, no fim, da via apresentam o maior risco para ciclistas e pedestres, com 23% e 17% dos veículos acima de 50 km/h, respectivamente. A velocidade da via é importante para proteger os usuários mais vulneráveis das vias (como pedestres, ciclistas e motociclistas) que têm boas chances de sobreviverem a impactos de até 30 km/h. De acordo com o World Resources Institute (WRI) a probabilidade de morte de pedestre ou ciclista atingido por um carro que transita a 40 km/h é de 30%. Essa probabilidade cai para 10% quandos os veículos estão a 30 km/h.

Para determinar a velocidade segura da via é necessário analisar as características da via. Nesse caso, a Max de Souza apresenta uma alta mistura de modais, uma alta densidade de travessias (em um só trecho de 400 metros há 60 travessias e entradas), e alta atividade de comércios, residencias e atividade na via. Por tanto, a única velocidade segura para esta via é de 30km/h. Atualmente 61% dos veículos estão acima de 40 km/h, criando condições de risco de morte para pedestres e ciclistas.

Gerenciar a velocidade não significa travar o trânsito, mas sim reduzir mortes e lesões graves em até 50%. Com base nos princípios de Sistemas Seguros e nas diretrizes nacionais e internacionais, a AMOBICI propõe três ações imediatas:

  1. Sinalização Adequada: Reduzir o limite regulamentado para 30 km/h em toda a extensão da via.
  2. Desenho Urbano Auto Fiscalizante (Traffic Calming): Implantação de lombofaixas (travessias elevadas), estreitamento visual de faixas e proteção física para ciclistas e pedestres.
  3. Fiscalização e Educação: Instalação de radares nos pontos de maior risco e campanhas de conscientização para motoristas sobre a importância deles

A AMOBICI entregou o estudo para o Secretário Executivo de Operações de Mobilidade da Prefeitura Municipal de Florianópolis, Moacir da Silva, durante reunião do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana de Florianópolis, no qual a AMOBICI representa a sociedade civil e a mobilidade ativa. A AMOBICI continuará com estudos de velocidades em outras vias com altos índices de atropelamentos. Acesse o estudo completo aqui.

Entrega do Estudo de Velocidades da Avenida Eng. Max de Souza durante reunião do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana de Florianópolis. Carolina Griggs – Diretora Administrativa da AMOBICI, Moacir da Silva – Secretário Executivo de Operações de Mobilidade da Prefeitura Municipal Florianópolis, e Ana Destri- Diretora Geral da AMOBICI. Foto: AMOBICI, 30/07/2026.

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